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Oncofertilidade

Câncer: a fertilidade em risco.

Com o avanço tecnológico nos diagnósticos dos diferentes tipos de câncer, a detecção precoce da enfermidade é uma realidade. Isso resultou em uma maior eficácia no tratamento e, consequentemente, em uma melhoria da expectativa de vida para um elevado percentual de pacientes. Todavia, na busca pela cura da doença, muitas consequências do tratamento são esquecidas, entre elas a infertilidade que pode ser irreversível.

Os tratamentos com cirurgias, quimioterapia e radioterapia são indicados em vários casos de câncer e, também, em doenças como o lúpus eritematoso sistêmico e a esclerose múltipla. A agressão ao ovário depende do tipo de quimioterápico escolhido, dose utilizada, duração do tratamento e a idade da paciente, de forma que o impacto desses tratamentos sobre a função ovariana pode ser percebido, a curto prazo, por distúrbios menstruais e, a longo prazo, por menopausa precoce. Para o sexo masculino, a quimio e a radioterapia são igualmente danosas, podendo levar a alterações hormonais e a infertilidade.

O avanço da medicina já permite o uso de técnicas que preservam a fertilidade. Entre as técnicas disponíveis para as mulheres, destacam-se a transposição ovariana, a fertilização in vitro (FIV) com o congelamento de embriões ou óvulos, o congelamento de tecido ovariano e a aplicação de hormônios que protegem o ovário. Para pacientes do sexo masculino uma técnica disponível, eficaz e relativamente barata é o congelamento de sêmen.
 

Transposição ovariana

A transposição ovariana consiste em reduzir a exposição dos ovários à irradiação, fixando-os atrás do útero ou retirando-os do campo de irradiação, através da técnica de videolaparoscopia.

Fertilização In Vitro

Na fertilização “in vitro” o procedimento todo pode ser realizado entre 15 e 30 dias, onde, através do uso de medicamentos, os ovários são estimulados a recrutar vários folículos, seguido pela coleta dos óvulos, fertilização dos mesmos em ambiente laboratorial e congelamento dos embriões para transferência, após a cura do câncer. ​ 

Para as pacientes solteiras, que não desejam utilizar sêmen de doador, uma opção é o congelamento de óvulos que apresenta resultados progressivamente positivos. No congelamento de tecido ovariano, método ainda experimental, a técnica do ovário ou o ovário por inteiro é retirado através da videolaparoscopia e congelado em pequenos fragmentos. Após a cura do câncer, o material é descongelado e transplantado para a paciente.

Por sua vez, preservar o futuro reprodutivo dos homens, o congelamento de sêmen, além de ser relativamente de baixo custo, é o método mais seguro para garantir a reprodução depois do tratamento contra o câncer. Já as crianças formam um grupo especial de pacientes que também está exposto às consequências do tratamento para o câncer, porém, por conta da pouca idade, seria inviável a indução da ovulação para congelamento de óvulos ou embriões. Assim, as técnicas disponíveis seriam a transposição ovariana e o congelamento de tecido ovariano.

Aconselha-se aos pacientes em idade fértil, que necessitam de tratamento quimio e radioterápico, ou para aqueles que são responsáveis por uma pessoa de menor idade em via de realizar um tratamento antineoplásico, a conversarem com o médico para saber se há indicação para preservação da fertilidade. Se já realizou um destes tipos de tratamento e deseja saber a repercussão sobre a fertilidade, um especialista em Reprodução Humana deve ser procurado.
 

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