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Técnicas de Reprodução Assistida de Alta complexidade – FIV/ICSI



Há quatro décadas nascia, em Oldham — uma cidade no interior da Inglaterra, o primeiro bebê de proveta do mundo. Em 25 de julho de 1978, Louise Joy Brown nasceu e foi recebida com grande felicidade por seus pais, Lesley e John Brown, que tentavam ter um bebê há mais de 9 anos. Em 2010, o criador do método para fertilização in vitro (FIV) - professor emérito da Universidade de Cambrigde, Robert Edwards, recebeu o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2010 e seu trabalho permitiu, até hoje, o nascimento de 4 milhões de pessoas e uma solução para a impossibilidade de ter filhos. A partir do nascimento de Louise, ou após a rápida disseminação da técnica da injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) pelo mundo desde 1992, o potencial da reprodução assistida tem se mostrado aparentemente ilimitado.

As técnicas de alta complexidade em reprodução assistida (FIV/ICSI) são indicadas principalmente para: pacientes que apresentaram insucesso das técnicas mais simples como inseminação artificial, alterações graves na qualidade dos espermatozoides, endometriose profunda severa, doenças das trompas ou baixa reserva ovariana. Além das citadas, existem outras possíveis indicações, como para excluir doenças hereditárias, para casais homoafetivos ou reprodução independente, para preservação de fertilidade em casos oncológicos ou por desejo em adiar a gestação.

A FIV é realizada por etapas: a primeira delas é a avaliação da mulher ou do casal, se pertinente. É necessária uma consulta médica e psicológica para avaliação clínica e física, além da solicitação de eventuais exames complementares. A segunda etapa é a escolha do protocolo de fertilização e das medicações a serem utilizadas, com base no diagnóstico da paciente. Então, é iniciada a terceira etapa: a hiperestimulação controlada dos ovários, que é realizada por meio de medicações injetáveis ou orais, com o objetivo que cresçam o máximo de folículos possíveis. Após essa fase, é realizada a coleta dos óvulos por meio de punção guiada por ultrassonografia. Tal procedimento é realizado na clínica, sob anestesia. Os óvulos são encaminhados ao laboratório para processamento e, nesta fase, é realizada a fertilização dos gametas e acompanhamento do desenvolvimento embrionário. Em casos específicos, pode ser realizada a biópsia do embrião para pesquisa de aneuploidias (PGT-A) ou para doenças monogênicas (PGT-M), e o congelamento dos embriões. Caso seja optado pela transferência do embrião a fresco, a mesma é realizada de 3 a 5 dias após a coleta dos óvulos. O sucesso do tratamento depende de diversos fatores, sendo que a idade do óvulo é o principal deles. A partir de 35 anos, a incidência de aneuploidia embrionária (alteração genética) aumenta exponencialmente a cada ano, gerando embriões com alterações cromossômicas.

Pode haver complicações no tratamento, como torção ovariana – ocorre devido ao aumento volumétrico dos ovários durante ou após o estímulo, como síndrome de hiperestimulação ovariana – raro atualmente, e gestação múltipla (gêmeos, trigêmeos...).

Esperamos que tenha sido esclarecedor. Para sanar possíveis dúvidas, fiquem à vontade para entrar em contato conosco.

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