©  2023 por Dr. Vinicius Medina Lopes.

SHIS QI 03 Bloco C Sala 101 - Brasília, DF 71605-200

Tel: 61-3365-4545

  • Facebook Social Icon
  • Instagram ícone social

ONCOFERTILIDADE

Câncer. A fertilidade em risco.

 

Com o avanço tecnológico nos diagnósticos dos diferentes tipos de câncer, a detecção precoce da enfermidade se tornou uma realidade. Isso resultou em maior eficácia do tratamento, que se refletiu na melhoria da expectativa de vida para um elevado percentual de pacientes, especialmente crianças, adolescentes e jovens.

Na busca pela cura da doença, muitas consequências tardias do tratamento são esquecidas. A infertilidade em homens e mulheres é uma delas. Em muitos casos os danos são irreversíveis e a gravidez pode não se tornar realidade.

Os tratamentos com cirurgias, quimioterapia e radioterapia são indicados em vários casos de câncer e também, em doenças como o lúpus eritematoso sistêmico e a esclerose múltipla. O impacto desses tratamentos sobre a função ovariana pode ser percebido a curto prazo, por distúrbios menstruais e, a longo prazo, por menopausa precoce. Para o sexo masculino, a quimio e a radioterapia são igualmente danosas, podendo levar a alterações hormonais e a infertilidade.

A agressão ao ovário depende do tipo de quimioterápico escolhido, dose utilizada, duração do tratamento e a idade da paciente.

O avanço da medicina já permite o uso de técnicas inovadoras que preservam a fertilidade. Entre as técnicas disponíveis para as mulheres, destacam-se a transposição ovariana, a fertilização “in vitro” (FIV) com o congelamento de embriões ou óvulos, o congelamento de tecido ovariano e a aplicação de hormônios que protegem o ovário. Para pacientes do sexo masculino uma técnica disponível, eficaz e relativamente barata é o congelamento de sêmen.

A transposição ovariana consiste em reduzir a exposição dos ovários à irradiação, fixando-os atrás do útero ou retirando-os do campo de irradiação, através da técnica de vídeo laparoscopia.

Na fertilização “in vitro” o procedimento todo pode ser realizado entre 15 e 30 dias. Com medicamentos, os ovários são estimulados a recrutar vários folículos, seguido pela coleta dos óvulos, fertilização dos mesmos em ambiente laboratorial e congelamento dos embriões para transferência após a cura do câncer.

Para as pacientes solteiras que não desejam utilizar sêmen de doador, uma opção é o congelamento de óvulos que apresenta resultados progressivamente positivos.

No congelamento de tecido ovariano, técnica ainda experimental, técnica do ovário ou o ovário por inteiro é retirado através da vídeo laparoscopia e congelado em pequenos fragmentos. Após a cura do câncer, o material é descongelado e transplantado para a paciente.

As crianças formam um grupo especial de pacientes que também está exposto às consequências do tratamento para o câncer. Em função da tenra idade, seria inviável a indução da ovulação para congelamento de óvulos ou embriões, assim sendo, as técnicas disponíveis seriam a transposição ovariana e o congelamento de tecido ovariano.

Para preservar o futuro reprodutivo dos homens, o congelamento de sêmen, além de ser relativamente de baixo custo, é o método mais seguro para garantir a reprodução após o tratamento contra o câncer.

Aconselha-se aos pacientes em idade fértil, e que necessita de tratamento quimio e radioterápico ou para aqueles que são responsáveis por uma pessoa de menor idade em via de realizar um tratamento antineoplásico, a conversar com o médico para saber se há indicação para o aconselhamento reprodutivo. Se já realizou um destes tipos de tratamento e deseja saber a repercussão sobre a fertilidade, um especialista em Reprodução Humana deve ser procurado.