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Congelamento de óvulos: quando considerar?

  • há 21 minutos
  • 6 min de leitura

Adiar uma gestação não significa abandonar o desejo de ser mãe. Para muitas mulheres, significa respeitar o momento profissional, afetivo, financeiro ou de saúde em que vivem. O congelamento de óvulos é uma possibilidade de preservação da fertilidade que pode oferecer mais autonomia para o planejamento reprodutivo, desde que seja compreendido com informação clara e expectativas realistas.

A decisão não precisa ser tomada por pressão, medo ou comparação com outras pessoas. Ela merece uma avaliação individual, que considere idade, reserva ovariana, histórico de saúde, projetos de vida e o tempo que a mulher imagina precisar até tentar uma gravidez.

O que é o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é um tratamento em que óvulos maduros são coletados dos ovários e armazenados em laboratório a temperaturas muito baixas. A técnica utilizada atualmente é a vitrificação, um congelamento ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo e melhora a sobrevivência dos óvulos após o descongelamento.

Esses óvulos podem permanecer armazenados por anos. Quando houver o desejo de engravidar, eles poderão ser descongelados e fertilizados em laboratório com espermatozoides, em um tratamento de fertilização in vitro, a FIV. Os embriões formados poderão, então, ser transferidos para o útero.

Há um ponto essencial: congelar óvulos não garante uma gravidez futura. O procedimento preserva a qualidade dos óvulos correspondente à idade em que foram coletados, mas a gestação dependerá de várias etapas posteriores, como sobrevivência ao descongelamento, fertilização, desenvolvimento embrionário, condições do útero e fatores relacionados ao espermatozoide.

Por que a idade faz tanta diferença?

A mulher nasce com uma quantidade limitada de óvulos, e tanto a quantidade quanto a qualidade dessas células diminuem ao longo do tempo. A queda se torna mais perceptível a partir dos 35 anos e pode se acelerar depois dos 37 a 38 anos. Com o avanço da idade, aumenta também a chance de alterações cromossômicas nos óvulos, o que pode dificultar a formação de embriões viáveis, a implantação e a evolução da gestação.

Por esse motivo, quando o objetivo é preservar fertilidade por escolha reprodutiva, os melhores resultados costumam ser observados quando a coleta é realizada antes dos 35 anos. Isso não quer dizer que mulheres acima dessa idade não possam congelar óvulos. Elas podem se beneficiar do tratamento, mas a indicação precisa ser ainda mais cuidadosa, pois pode ser necessário obter um número maior de óvulos e as chances futuras variam de forma importante.

A idade cronológica é um dado relevante, mas não é o único. Exames como ultrassonografia transvaginal com contagem de folículos antrais e dosagem do hormônio antimülleriano ajudam a estimar a reserva ovariana e a planejar a estimulação. Eles não medem diretamente a qualidade dos óvulos, mas contribuem para uma conversa mais objetiva sobre o provável número de óvulos obtidos em cada ciclo.

Em quais situações o procedimento pode ser indicado?

O congelamento pode ser uma escolha para mulheres que desejam postergar a maternidade e não se sentem prontas para engravidar agora. Pode fazer sentido, por exemplo, para quem ainda não encontrou um parceiro ou parceira, está em fase intensa de formação profissional, deseja organizar a vida financeira ou planeja maternidade solo em outro momento.

Também há indicações médicas importantes. Mulheres que receberão tratamentos potencialmente tóxicos para os ovários, como quimioterapia, radioterapia pélvica ou determinadas cirurgias, podem precisar preservar a fertilidade antes do início do tratamento oncológico. Nesses casos, o tempo é valioso, e a atuação integrada entre a equipe de oncologia e reprodução humana permite definir uma estratégia segura sem atrasar desnecessariamente o cuidado contra o câncer.

Doenças e condições ginecológicas também podem justificar a conversa. Endometriose ovariana, cirurgias repetidas nos ovários, histórico familiar de menopausa precoce e algumas doenças autoimunes são exemplos em que a reserva ovariana pode estar ameaçada. Cada caso exige avaliação individual: nem toda paciente com endometriose precisa congelar óvulos, e nem toda mulher com boa reserva ovariana deve adiar a decisão por muitos anos.

Como é feito o tratamento?

O processo começa com uma consulta detalhada. Além de conversar sobre expectativas e planejamento, o especialista avalia antecedentes clínicos, ciclos menstruais, uso de medicamentos, cirurgias prévias e exames. Também são solicitadas sorologias e avaliações necessárias para a segurança do procedimento.

Na etapa seguinte, ocorre a estimulação ovariana. A paciente utiliza medicações hormonais injetáveis por cerca de 10 a 12 dias, em protocolos ajustados à sua resposta ovariana. Durante esse período, são realizados acompanhamentos com ultrassonografia e, quando necessário, exames de sangue. O objetivo não é alterar permanentemente a fertilidade, mas permitir que vários folículos que já estavam em desenvolvimento naquele ciclo amadureçam ao mesmo tempo.

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é aplicada uma medicação para a maturação final dos óvulos. Aproximadamente 34 a 36 horas depois, é feita a coleta. O procedimento é realizado por via vaginal, guiado por ultrassonografia e geralmente com sedação. A coleta costuma ser breve, e a alta ocorre no mesmo dia, com orientação para repouso relativo e observação de sintomas.

No laboratório, os óvulos maduros são identificados e vitrificados. Nem todos os folículos visualizados no ultrassom contêm óvulos, e nem todos os óvulos coletados estarão maduros. Essa diferença faz parte da biologia do processo e deve ser explicada antes do início do ciclo, para evitar expectativas baseadas apenas em números.

Quantos óvulos é ideal congelar?

Não existe um número universal que assegure um bebê. A estimativa depende principalmente da idade na coleta e do desejo reprodutivo de cada mulher. Quem deseja tentar uma gestação futura tem uma necessidade diferente de quem imagina dois ou mais filhos.

Em linhas gerais, mulheres mais jovens tendem a precisar de menos óvulos maduros para alcançar uma probabilidade razoável de ter um bebê do que mulheres em faixas etárias mais avançadas. Ainda assim, uma única coleta pode não ser suficiente. Algumas pacientes optam ou precisam realizar mais de um ciclo para armazenar uma quantidade mais compatível com seus objetivos.

A conversa responsável não deve se limitar a promessas ou porcentagens isoladas. É mais útil entender qual é a resposta esperada para os seus exames, quantos óvulos maduros podem ser obtidos, quais são as limitações daquela estimativa e quais alternativas estarão disponíveis no futuro.

Há riscos e efeitos colaterais?

O congelamento de óvulos é considerado um procedimento seguro quando bem indicado e acompanhado por equipe especializada. Durante a estimulação, pode haver sensação de inchaço abdominal, sensibilidade nas mamas, alterações de humor, cefaleia ou desconforto pélvico. Após a coleta, cólicas leves e pequeno sangramento vaginal podem ocorrer por alguns dias.

Complicações graves são incomuns, mas precisam ser discutidas. A síndrome de hiperestimulação ovariana, caracterizada por aumento importante dos ovários e retenção de líquidos, tornou-se menos frequente com protocolos modernos e monitoramento adequado. Há também riscos raros relacionados à sedação, sangramento, infecção ou lesão de estruturas próximas durante a coleta.

O tratamento não costuma antecipar a menopausa nem “gastar” óvulos que seriam utilizados em outros meses. Em cada ciclo menstrual, diversos folículos iniciam desenvolvimento, mas geralmente apenas um ovula; a estimulação permite aproveitar parte dos demais folículos que seriam naturalmente perdidos naquele ciclo.

O que considerar antes de decidir?

Antes de congelar, vale olhar para a decisão em duas dimensões: a médica e a emocional. Do ponto de vista médico, é necessário avaliar idade, reserva ovariana, condições de saúde e urgência. Do ponto de vista pessoal, é importante reconhecer que a preservação de fertilidade pode trazer alívio, mas não elimina todas as incertezas sobre uma gravidez futura.

Também é preciso planejar aspectos práticos, como o investimento no ciclo, os medicamentos, o armazenamento anual e a possibilidade de tratamentos futuros de FIV. Uma decisão bem acompanhada não trata esses pontos como obstáculos constrangedores, mas como informações necessárias para que a mulher possa escolher com liberdade e segurança.

Em Brasília, o acompanhamento com um especialista em reprodução humana permite alinhar os exames, a estratégia de estimulação e o seu projeto parental com proximidade. O Dr. Vinicius Medina Lopes e sua equipe conduzem essa conversa de forma individualizada, especialmente quando há endometriose, risco oncológico, baixa reserva ovariana ou dúvidas sobre o melhor momento para preservar a fertilidade.

Escolher congelar óvulos não é uma obrigação nem uma corrida contra o tempo. É uma ferramenta médica que pode ampliar possibilidades para algumas mulheres. Uma consulta bem conduzida transforma ansiedade em informação e permite que o próximo passo seja dado com mais tranquilidade, respeito à sua história e cuidado com o futuro que você deseja construir.

 
 
 

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