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Dia Mundial do Câncer de Ovário: o que essa conversa tem a ver com fertilidade?

  • 8 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 6 horas

O Dia Mundial do Câncer de Ovário é uma oportunidade importante para ampliar a informação sobre uma doença que, muitas vezes, avança de forma silenciosa. Também é dia-mundial-do-câncer-de-ovário-o-que-essa-conversa-tem-a-ver-com-fertilidadeuma chance de abordar um ponto que ainda recebe pouca atenção fora do consultório, que é o impacto do câncer de ovário e do seu tratamento sobre a fertilidade.


Quando falamos em câncer e reprodução humana, o primeiro impulso costuma ser pensar apenas na urgência do tratamento, e isso é compreensível. Mas, para mulheres jovens que ainda desejam engravidar, a fertilidade não pode ser deixada de lado. O National Cancer Institute destaca que tratamentos oncológicos podem afetar a capacidade de engravidar ou de levar uma gestação adiante, e que essa conversa precisa acontecer o quanto antes com a equipe de saúde. 


Quando o câncer de ovário pode impactar a fertilidade?


O impacto sobre a fertilidade depende de vários fatores: idade da paciente, tipo do tumor, extensão da doença, necessidade de cirurgia e indicação de quimioterapia. Em alguns casos, o tratamento exige retirada dos dois ovários e do útero, o que impede a gestação futura. Em outros, especialmente em tumores iniciais e em pacientes jovens, pode ser possível discutir estratégias mais conservadoras.

Alguns tumores ovarianos, como os de células germinativas, podem permitir abordagem com preservação de fertilidade em situações selecionadas. O próprio NCI descreve que, em pacientes jovens e casos específicos, uma cirurgia preservadora pode ser considerada padrão terapêutico. 

Isso mostra que nem toda história segue o mesmo roteiro. O ponto central é que a decisão precisa ser feita com avaliação individualizada e em diálogo entre oncologia e reprodução humana.


O que é oncofertilidade?


A oncofertilidade é a área que conecta o tratamento do câncer com a preservação do futuro reprodutivo. Ela existe justamente para que mulheres em idade fértil tenham acesso a informação e possibilidades antes do início do tratamento. 

O NCI explica essa área como uma ponte entre oncologia e saúde reprodutiva, construída para proteger qualidade de vida e perspectivas futuras após o câncer. 

Na prática, isso significa discutir com rapidez se existe tempo e segurança para preservar óvulos, embriões ou, em alguns contextos, considerar estratégias cirúrgicas que mantenham parte da função reprodutiva.


Quais possibilidades podem existir?


As opções não são iguais para todas as pacientes, e nem sempre estarão disponíveis ou indicadas. Mas, de forma geral, as principais possibilidades discutidas são:


Congelamento de óvulos ou embriões antes do tratamento


Quando há tempo e segurança clínica, essa pode ser uma das estratégias mais conhecidas. Ela precisa acontecer antes da quimioterapia ou de cirurgias que comprometam a função ovariana. O American Cancer Society destaca que a preservação da fertilidade deve ser discutida logo após o diagnóstico, porque procedimentos como congelamento de óvulos e embriões precisam ser feitos antes do tratamento oncológico. 



Cirurgia com preservação de fertilidade em casos selecionados


Alguns tumores ovarianos iniciais podem permitir retirada de apenas um ovário e da tuba correspondente, preservando útero e ovário contralateral. Essa possibilidade depende totalmente do tipo histológico e do estágio da doença. 


Proteção ovariana e outras estratégias complementares


Em determinados cenários oncológicos, existem estudos e estratégias voltadas a reduzir danos ovarianos durante o tratamento, embora isso varie muito de acordo com o tipo de câncer e a terapêutica indicada. 


Por que essa conversa precisa acontecer cedo?


Porque o fator tempo importa. Em oncologia, muitas decisões precisam ser tomadas rapidamente, e justamente por isso a fertilidade precisa entrar cedo na conversa, e não depois. Quando a paciente recebe informação no momento certo, ela ganha a chance de avaliar possibilidades reais, dentro do que é seguro para o seu tratamento e coerente com o seu projeto de vida.

Isso não significa transferir peso emocional para a mulher em um momento já difícil. Significa reconhecer que o futuro também merece cuidado.


Falar de fertilidade não diminui a seriedade do tratamento


Esse é um ponto importante. Discutir fertilidade diante de um diagnóstico de câncer não é “desviar o foco”. É ampliar o cuidado. É olhar para a paciente de forma integral, considerando sua saúde, sua segurança oncológica e também seus desejos futuros.

Quando há indicação e tempo para preservar a fertilidade, essa possibilidade deve ser apresentada com clareza. Quando não há, isso também precisa ser comunicado com acolhimento, honestidade e apoio.

No Dia Mundial do Câncer de Ovário, a informação mais importante talvez seja essa: toda mulher merece entender não apenas a doença que enfrenta, mas também os caminhos que ainda podem existir para sua vida reprodutiva.



5 perguntas e respostas sobre câncer de ovário e fertilidade


1. Toda mulher com câncer de ovário perde a fertilidade?

Não. Isso depende da idade, do tipo de tumor, do estágio da doença e do tratamento necessário. Em alguns casos selecionados, pode haver possibilidade de abordagem com preservação de fertilidade. 


2. É possível congelar óvulos antes do tratamento?

Em alguns casos, sim. Quando existe tempo e segurança clínica, o congelamento de óvulos ou embriões pode ser discutido antes da cirurgia ou quimioterapia. Essa decisão precisa ser rápida e coordenada entre oncologia e reprodução humana. 


3. O tratamento do câncer sempre afeta os ovários?


Nem sempre, mas muitos tratamentos podem comprometer a função ovariana ou a capacidade de engravidar. O risco varia conforme a medicação, a cirurgia e a extensão da doença. 


4. Existe cirurgia que preserve a fertilidade no câncer de ovário?

Em tumores específicos e fases iniciais, pode haver indicação de cirurgia conservadora, preservando útero e parte da função ovariana. Isso não é possível em todos os casos e precisa ser definido com muito critério. 


5. Quando essa conversa deve acontecer?

O ideal é que aconteça o mais cedo possível, logo após o diagnóstico e antes do início do tratamento. Quanto mais cedo a paciente é orientada, maiores podem ser as possibilidades de planejamento. 

 
 
 

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