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Quais são os melhores exames para fertilidade?

há 2 dias
5 min de leitura

Quando a gravidez não acontece no tempo esperado, a dúvida sobre os melhores exames para fertilidade costuma vir acompanhada de ansiedade. É compreensível querer uma resposta rápida, mas a investigação reprodutiva de qualidade não é uma sequência fixa de testes. Ela começa por escutar a história de cada pessoa ou casal, avaliar o momento de vida, os ciclos menstruais, tentativas anteriores, idade e condições clínicas que podem interferir na fertilidade.

Um exame isolado raramente explica toda a situação. Resultados precisam ser interpretados em conjunto, pois fertilidade envolve ovários, útero, trompas, espermatozoides, hormônios, frequência das relações e fatores que nem sempre aparecem em um laudo. A boa investigação evita tanto atrasos desnecessários quanto exames invasivos sem indicação.

Não existe um único “melhor” exame

A expressão “melhores exames” pode sugerir que há um teste capaz de medir a chance de engravidar. Na prática, não existe um marcador único com essa função. Alguns exames avaliam a reserva ovariana, outros verificam se há ovulação, alterações no útero, permeabilidade das trompas ou qualidade seminal. Cada um responde a uma pergunta específica.

A idade da mulher é uma informação central para definir prioridades, porque está relacionada à quantidade e, principalmente, à qualidade dos óvulos. Ainda assim, ela não substitui a avaliação individual. Uma mulher jovem com endometriose, por exemplo, pode precisar investigar as trompas mais cedo. Já uma paciente que deseja congelar óvulos pode se beneficiar da análise de reserva ovariana mesmo sem estar tentando engravidar agora.

Também é essencial avaliar o fator masculino desde o início quando há um casal com espermatozoides. A infertilidade não deve ser investigada apenas na mulher: alterações seminais são frequentes e podem mudar de forma importante o planejamento.

Melhores exames para fertilidade: a avaliação inicial

A consulta especializada é parte decisiva da investigação. Nela, são revisados dados como regularidade menstrual, dor pélvica, cirurgias prévias, infecções, uso de medicamentos, histórico familiar de menopausa precoce, perdas gestacionais, tratamentos oncológicos e hábitos de vida. Para homens, entram na conversa doenças clínicas, cirurgias testiculares, varicocele, febre recente, uso de testosterona ou anabolizantes e exposições ocupacionais.

Ultrassonografia transvaginal e reserva ovariana

A ultrassonografia transvaginal é um dos exames mais úteis na avaliação feminina. Ela permite observar o útero, o endométrio, os ovários e possíveis alterações, como miomas, pólipos maiores, cistos ovarianos, sinais sugestivos de endometriose e características da síndrome dos ovários policísticos.

Quando realizada no início do ciclo, também pode contar os folículos antrais - pequenas estruturas que ajudam a estimar a reserva ovariana. Essa contagem é especialmente relevante para planejar congelamento de óvulos ou estratégias de fertilização in vitro.

O hormônio antimülleriano, conhecido como AMH, é outro marcador de reserva ovariana. Ele auxilia a prever a resposta dos ovários a uma estimulação hormonal, mas não deve ser interpretado como um “teste de fertilidade” absoluto. Um AMH baixo não significa impossibilidade de gravidez natural, assim como um resultado elevado não garante gestação. FSH e estradiol, geralmente dosados nos primeiros dias do ciclo, podem complementar essa análise em situações selecionadas.

Espermograma: um exame fundamental

O espermograma avalia volume do sêmen, concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. É um dos primeiros exames na investigação de casais heterossexuais, pois identifica alterações que podem indicar desde mudanças de hábitos e tratamento clínico até a necessidade de reprodução assistida.

Como os parâmetros seminais podem variar, um resultado alterado nem sempre representa um diagnóstico definitivo. Pode ser necessário repetir o espermograma após o intervalo recomendado ou ampliar a avaliação com urologista ou andrologista. Exames como fragmentação do DNA espermático têm indicação em contextos específicos, como determinadas alterações seminais, falhas repetidas de tratamento ou perdas gestacionais recorrentes, e não precisam ser solicitados para todos os pacientes.

Avaliação do útero e das trompas

Mesmo quando há ovulação e o espermograma está adequado, alterações na cavidade uterina ou obstruções tubárias podem dificultar a concepção. A escolha do método depende dos achados da consulta, da ultrassonografia, do histórico de dor, infecções pélvicas, cirurgias ou gravidez ectópica.

Histerossonografia e HyCoSy

A histerossonografia utiliza líquido para ampliar a visualização da cavidade do útero durante a ultrassonografia. É particularmente útil para investigar pólipos, miomas que deformam a cavidade, aderências e alterações do endométrio que podem interferir na implantação embrionária.

A histerossonossalpingografia, também chamada de HyCoSy, associa a avaliação ultrassonográfica ao estudo da passagem de contraste pelas trompas. Assim, pode ajudar a verificar se elas estão pérvias. É uma alternativa sem radiação e, quando bem indicada, oferece informações valiosas para definir se as tentativas naturais, a inseminação artificial ou a fertilização in vitro fazem mais sentido naquele cenário.

A histerossalpingografia por raio-X também pode ser indicada em algumas situações. A melhor escolha considera disponibilidade, experiência da equipe, suspeita clínica, conforto da paciente e qualidade da informação necessária.

Histeroscopia e videolaparoscopia

A histeroscopia permite olhar diretamente o interior do útero com uma câmera delicada. Ela é especialmente indicada quando há suspeita de pólipos, miomas submucosos, aderências, malformações uterinas ou alterações encontradas em exames de imagem. Além de confirmar o diagnóstico, em muitos casos possibilita tratar a alteração durante o próprio procedimento.

Já a videolaparoscopia não é exame de rotina para toda investigação de infertilidade. Por ser cirúrgica, costuma ser reservada para situações em que existe forte suspeita de endometriose, aderências pélvicas, alterações tubárias ou dor pélvica importante, e quando o resultado pode mudar a conduta. Em casos de endometriose, a decisão entre cirurgia, tentativa espontânea, inseminação ou FIV exige uma análise cuidadosa da idade, reserva ovariana, sintomas e tempo de tentativa.

Hormônios, ovulação e exames direcionados

Ciclos regulares frequentemente sugerem que a ovulação está acontecendo, mas há situações em que vale confirmá-la. A progesterona na fase lútea, colhida no momento adequado ao ciclo de cada mulher, pode ajudar nessa avaliação. Fazer o exame em uma data fixa, sem considerar quando ocorreu a ovulação, aumenta a chance de interpretações equivocadas.

TSH, prolactina, glicemia e hemoglobina glicada podem ser solicitados conforme os sintomas e o histórico. Alterações da tireoide, hiperprolactinemia e doenças metabólicas podem afetar a ovulação e também merecem atenção antes da gestação. Testes para trombofilias, imunológicos ou genéticos, porém, não são universais. Eles fazem sentido diante de critérios clínicos, como perdas gestacionais recorrentes, histórico familiar relevante ou achados específicos.

Para mulheres solteiras, casais femininos e pessoas que utilizarão sêmen doado, a investigação é adaptada ao projeto parental. Avaliar útero, ovários, condições clínicas e segurança para uma futura gestação continua sendo relevante, mas não há motivo para reproduzir exames que não respondem a uma necessidade real.

Quando iniciar a investigação de fertilidade?

Em geral, recomenda-se procurar avaliação após 12 meses de relações regulares sem contracepção para mulheres com menos de 35 anos. A partir dos 35 anos, esse período costuma ser de seis meses. Após os 40 anos, ou quando há ciclos muito irregulares, endometriose, cirurgia pélvica prévia, histórico de quimioterapia, perdas recorrentes ou suspeita de fator masculino, a consulta deve acontecer mais cedo.

Para quem deseja preservar a fertilidade antes de um tratamento contra o câncer ou adiar a maternidade, não é necessário esperar tentativas de gravidez. O tempo tem impacto direto nas opções disponíveis, sobretudo no congelamento de óvulos.

Uma investigação bem conduzida não promete controlar todos os fatores da reprodução, mas transforma dúvidas em caminhos possíveis. Com escuta, exames bem indicados e interpretação especializada, cada resultado deixa de ser apenas um número e passa a orientar decisões mais seguras para o projeto de formar uma família.

 
 
 

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