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Mãe e filhos

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Quantos óvulos congelar para preservar chances?

há 10 minutos
5 min de leitura

A pergunta “quantos óvulos congelar” parece pedir um número simples, mas envolve uma decisão muito pessoal: preservar a possibilidade de ter filhos no futuro, sem prometer um resultado que a medicina não pode garantir. A quantidade ideal varia principalmente conforme a idade no momento da coleta, a reserva ovariana e o número de filhos desejados.

O congelamento de óvulos é uma ferramenta de preservação da fertilidade. Ele não interrompe o envelhecimento do útero nem assegura uma gestação futura, mas permite guardar óvulos com a qualidade biológica da idade em que foram coletados. Por isso, entender metas realistas ajuda a planejar o tratamento com mais segurança e menos ansiedade.

Quantos óvulos congelar para ter uma boa chance?

Na prática, o objetivo não é congelar um número qualquer de óvulos, mas obter uma quantidade suficiente de óvulos maduros, também chamados de óvulos em estágio MII. São eles que podem ser vitrificados e, no futuro, descongelados para fertilização em laboratório.

As estimativas mais usadas na reprodução assistida sugerem que, para buscar uma chance razoável de nascimento de um filho, costuma-se trabalhar com estas faixas aproximadas:

  • antes dos 35 anos: cerca de 15 a 20 óvulos maduros;

  • entre 35 e 37 anos: aproximadamente 20 a 25 óvulos maduros;

  • entre 38 e 40 anos: em geral, 25 a 35 óvulos maduros;

  • após os 40 anos: pode ser necessário um número maior, e mesmo assim as chances podem ser mais limitadas.

Essas faixas não são uma garantia e não substituem uma avaliação individual. Cada óvulo percorre várias etapas até uma possível gravidez: precisa sobreviver ao descongelamento, ser fertilizado, formar um embrião com bom desenvolvimento e, idealmente, apresentar alterações cromossômicas compatíveis com a implantação e a evolução gestacional.

A idade influencia especialmente a proporção de óvulos com potencial de gerar embriões cromossomicamente saudáveis. Por esse motivo, duas mulheres que congelam 15 óvulos podem ter perspectivas diferentes se fizeram o procedimento em idades distintas.

Um filho ou mais de um muda o planejamento

A meta de óvulos também precisa considerar o projeto familiar. Quem deseja preservar a chance de ter um filho pode estabelecer uma estratégia diferente daquela que imagina dois ou três filhos no futuro.

Se a intenção é ter dois filhos, por exemplo, pode ser prudente buscar uma reserva maior. Não significa necessariamente dobrar uma meta de forma matemática, porque a resposta ao estímulo ovariano e a qualidade dos óvulos são individuais. Ainda assim, o planejamento deve contemplar que cada tentativa de gestação consome parte dos óvulos congelados.

Essa conversa merece espaço na consulta. Muitas pacientes chegam dizendo que querem “deixar uma porta aberta”, mas, ao refletirem sobre a própria história, percebem que também desejam manter a possibilidade de uma maternidade solo, de um segundo filho ou de adiar a decisão por alguns anos. Não há um projeto familiar certo. Há um plano que precisa ser respeitado e traduzido em uma estratégia clínica possível.

Nem todo óvulo coletado poderá ser congelado

Um ponto que frequentemente gera surpresa é a diferença entre folículos, óvulos coletados e óvulos maduros congelados. Durante a ultrassonografia, observamos folículos, que são estruturas do ovário onde os óvulos se desenvolvem. Porém, nem todo folículo contém um óvulo e nem todo óvulo obtido estará maduro.

Por isso, uma paciente que apresenta 15 folículos no acompanhamento não terá obrigatoriamente 15 óvulos vitrificados ao final. Pode haver óvulos imaturos, e essa é uma situação esperada no tratamento. A equipe avalia a maturidade no laboratório após a coleta e informa com clareza quantos óvulos puderam ser congelados.

Essa diferença também explica por que algumas mulheres alcançam a meta em um único ciclo, enquanto outras se beneficiam de duas ou mais estimulações ovarianas. Fazer mais de um ciclo não representa fracasso. Em muitos casos, é uma decisão planejada para aumentar a reserva preservada, especialmente quando a idade é mais avançada ou a resposta ovariana é menor.

A idade é o fator mais decisivo

A fertilidade feminina diminui progressivamente com o tempo, e essa redução se torna mais relevante a partir dos 35 anos. Isso acontece não apenas porque a quantidade de óvulos cai, mas também porque aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas nos óvulos.

Congelar óvulos aos 30, 32 ou 34 anos não significa que uma pessoa precise usar esse material no futuro. Muitas mulheres engravidam espontaneamente quando decidem tentar. A vantagem é preservar uma alternativa com óvulos mais jovens caso a gravidez não ocorra no tempo esperado, caso surja um diagnóstico de infertilidade ou caso as circunstâncias de vida mudem.

Após os 38 anos, o congelamento continua podendo ser indicado, mas a conversa precisa ser ainda mais individualizada. Dependendo da reserva ovariana, da idade e dos planos reprodutivos, pode haver indicação de mais de um ciclo ou de outras estratégias. O acolhimento deve caminhar junto com a honestidade: preservar óvulos pode ampliar possibilidades, mas não elimina o efeito da idade sobre a qualidade ovocitária.

Como a reserva ovariana ajuda a definir a estratégia

A reserva ovariana ajuda a estimar como os ovários podem responder à estimulação, mas não mede, sozinha, a qualidade dos óvulos e nem determina a fertilidade de uma mulher. Ela é avaliada principalmente pela contagem de folículos antrais na ultrassonografia transvaginal e pela dosagem do hormônio anti-mülleriano, conhecido como AMH.

Uma reserva ovariana reduzida pode indicar a necessidade de planejamento mais rápido ou de mais de uma coleta para atingir a quantidade desejada. Por outro lado, uma reserva elevada não garante óvulos de boa qualidade nem elimina a influência da idade.

Também é fundamental avaliar o histórico clínico. Endometriose, cirurgias ovarianas prévias, tratamentos oncológicos, doenças autoimunes e antecedentes familiares de menopausa precoce podem modificar a urgência e a abordagem da preservação de fertilidade. Em pacientes com câncer, o tempo disponível antes de quimioterapia, radioterapia ou cirurgia precisa ser discutido de forma coordenada com a equipe oncológica.

Como funciona o caminho até o congelamento

O tratamento começa com consulta, avaliação clínica, ultrassonografia e exames hormonais quando indicados. A partir dessas informações, é possível estimar a resposta esperada e conversar sobre uma meta de óvulos maduros coerente com a idade e o projeto familiar.

A estimulação ovariana dura, em média, de 10 a 12 dias. Nesse período, são utilizados medicamentos hormonais e realizados acompanhamentos por ultrassonografia, com ajustes individualizados. Quando os folículos atingem o desenvolvimento adequado, é programada a coleta dos óvulos, feita por via vaginal, com sedação.

No laboratório, os óvulos são avaliados e os maduros seguem para vitrificação, uma técnica de congelamento ultrarrápido. Eles permanecem armazenados até que a paciente deseje utilizá-los. No futuro, para tentar uma gravidez, os óvulos são descongelados, fertilizados por fertilização in vitro e os embriões formados são acompanhados antes de uma possível transferência para o útero.

O que perguntar antes de decidir

Mais do que procurar um número ideal na internet, vale sair da consulta com respostas práticas. Quantos óvulos maduros são esperados no meu caso? Minha meta corresponde a um ou mais filhos? Há chance de eu precisar de outro ciclo? O que meus exames mostram sobre reserva ovariana? Qual é o impacto da minha idade nas perspectivas do tratamento?

Uma boa orientação não oferece certezas artificiais. Ela apresenta probabilidades, explica limites e ajuda a pessoa a tomar uma decisão que faça sentido para seu momento de vida. O cuidado em reprodução humana deve reconhecer que, por trás de cada exame e de cada coleta, existe uma história, uma espera e, muitas vezes, um sonho construído com muito afeto.

Para quem considera esse caminho em Brasília, uma avaliação especializada com o Dr. Vinicius Medina Lopes pode transformar dúvidas amplas em um plano reprodutivo claro, seguro e respeitoso. Preservar a fertilidade não é decidir hoje que a maternidade acontecerá amanhã. É cuidar, no presente, da liberdade de escolher quando e como esse projeto poderá acontecer.

 
 
 

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