Infertilidade masculina exames e próximos passos
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Quando há dificuldade para engravidar, a investigação não deve recair apenas sobre a mulher. Na infertilidade masculina, exames bem indicados ajudam a compreender fatores que podem estar ligados à produção, ao transporte ou à qualidade dos espermatozoides. Esse é um passo técnico, mas também profundamente humano: transformar meses de tentativas, dúvidas e expectativas em um plano de cuidado claro para o casal.
A avaliação masculina faz parte da investigação do casal desde o início. Em muitos casos, uma alteração é tratável ou pode orientar com mais precisão o caminho para uma gestação, seja com tentativas naturais, tratamentos clínicos, cirurgia, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.
Quando iniciar a investigação da infertilidade masculina
Em geral, recomenda-se investigar após 12 meses de relações sexuais frequentes, sem contracepção, sem que ocorra gravidez. Se a mulher tiver 35 anos ou mais, esse período costuma ser reduzido para seis meses. Acima dos 40 anos, ou diante de alterações menstruais, histórico de endometriose, cirurgias pélvicas, perdas gestacionais ou fatores masculinos conhecidos, a avaliação pode ser iniciada ainda antes.
Também merece investigação imediata o homem com histórico de criptorquidia, varicocele, trauma ou cirurgia testicular, caxumba após a puberdade, quimioterapia, radioterapia, uso de testosterona ou anabolizantes, disfunção erétil, alterações ejaculatórias ou infertilidade prévia. Não é necessário esperar para buscar orientação quando já existe uma preocupação objetiva.
A consulta é tão relevante quanto os testes. Hábitos de vida, doenças clínicas, medicamentos em uso, exposição ao calor, tabaco, álcool, drogas, febre recente e antecedentes familiares podem modificar a interpretação dos resultados. A fertilidade masculina não se resume a um único número em um laudo.
Infertilidade masculina: exames que costumam iniciar a avaliação
Para que o exame seja confiável, o laboratório costuma orientar um período de abstinência ejaculatória, geralmente entre dois e sete dias. A coleta deve seguir rigorosamente as instruções recebidas. Febre, infecções recentes, uso de certos medicamentos e até variações naturais entre ejaculações podem interferir no resultado.
Um espermograma alterado não determina, sozinho, que uma gravidez natural seja impossível. Da mesma forma, um resultado dentro dos valores de referência não exclui todos os fatores de infertilidade. Os parâmetros seminais oscilam, e por isso é comum repetir o exame, especialmente quando há alteração significativa ou quando o primeiro resultado não combina com a história clínica.
O que o espermograma pode mostrar
A azoospermia indica ausência de espermatozoides no ejaculado. Ela pode estar relacionada a uma obstrução no trajeto do sêmen ou a uma alteração na produção testicular. Já a oligozoospermia representa concentração reduzida de espermatozoides, enquanto a astenozoospermia está associada à redução da motilidade. A teratozoospermia descreve alterações predominantes de morfologia.
Esses termos podem gerar apreensão, mas não devem ser interpretados fora de contexto. A intensidade da alteração, a idade e a avaliação reprodutiva da parceira, o tempo de tentativas e as possibilidades de tratamento compõem uma decisão individualizada. Em algumas situações, ajustes clínicos são suficientes; em outras, técnicas de reprodução assistida oferecem a melhor chance de gravidez.
Avaliação hormonal e exame físico
Quando o espermograma apresenta alterações relevantes, especialmente redução acentuada da concentração ou ausência de espermatozoides, exames hormonais podem ajudar a investigar a função testicular. Entre os mais solicitados estão FSH, LH e testosterona total, com indicação de outros marcadores conforme o caso, como prolactina, estradiol e hormônios tireoidianos.
Esses testes não são obrigatórios para todos os homens com dificuldade para engravidar. Eles são escolhidos a partir da história clínica, do exame físico e do resultado seminal. Um FSH elevado, por exemplo, pode sugerir comprometimento da produção espermática, mas nunca deve ser analisado isoladamente.
O exame físico realizado por profissional habilitado pode identificar varicocele, alterações no tamanho ou na consistência dos testículos, ausência dos canais deferentes e sinais de alterações hormonais. A varicocele, dilatação das veias ao redor do testículo, é uma causa frequente e potencialmente tratável de alteração seminal, embora nem toda varicocele exija cirurgia. A indicação depende dos sintomas, da avaliação do sêmen, do exame clínico e do projeto reprodutivo do casal.
Quando ultrassom, testes genéticos e outros exames são necessários
A ultrassonografia de bolsa escrotal com Doppler pode ser indicada para esclarecer suspeita de varicocele, alterações testiculares ou outras condições identificadas na consulta. Já a ultrassonografia transretal é reservada para cenários específicos, como suspeita de obstrução dos ductos ejaculatórios ou alterações das vesículas seminais.
Nos quadros de azoospermia ou oligozoospermia grave, a investigação genética pode ser decisiva. Cariótipo e pesquisa de microdeleções do cromossomo Y avaliam alterações que podem estar relacionadas à produção de espermatozoides. A pesquisa de variantes no gene CFTR pode ser solicitada quando há suspeita de ausência congênita dos canais deferentes, condição que também exige orientação genética adequada para o casal.
Em homens com pouco ou nenhum sêmen ejaculado, o exame de urina após a ejaculação pode ajudar a diagnosticar ejaculação retrógrada. Culturas de sêmen e investigação de infecções são consideradas quando existem sintomas, alterações clínicas ou achados laboratoriais que justifiquem essa hipótese. Solicitar muitos testes sem uma pergunta clínica clara pode aumentar a ansiedade sem necessariamente melhorar a conduta.
E o teste de fragmentação do DNA espermático?
A fragmentação do DNA espermático avalia danos no material genético presente no espermatozoide. Pode ser considerada em situações selecionadas, como perdas gestacionais recorrentes, falhas repetidas de fertilização ou implantação, varicocele, idade paterna avançada e alguns casos de infertilidade sem causa aparente.
Não é um exame de rastreamento obrigatório para todos os casais. Seus resultados devem ser interpretados com cautela, pois métodos diferentes podem apresentar referências distintas e a utilidade clínica depende do cenário. Quando há indicação, ele pode contribuir para decisões sobre mudanças de hábitos, tratamento de fatores associados, cirurgia de varicocele ou estratégia de reprodução assistida.
Como os resultados orientam o tratamento
Depois de concluir a investigação, o próximo passo não é simplesmente “normalizar” um laudo. O objetivo é definir a estratégia que faça sentido para aquele casal, considerando tempo de tentativas, idade reprodutiva da mulher, reserva ovariana, condições uterinas e tubárias, gravidade do fator masculino e desejos de cada pessoa envolvida.
Mudanças de estilo de vida podem ser recomendadas, como interromper tabagismo e anabolizantes, moderar álcool, cuidar do peso, tratar doenças como diabetes e evitar exposição excessiva ao calor testicular. Essas medidas são valiosas para a saúde geral, mas exigem expectativa realista: a formação dos espermatozoides leva cerca de três meses, e nem toda alteração melhora apenas com hábitos saudáveis.
Em casos selecionados, pode haver indicação de correção cirúrgica de varicocele ou tratamento de alterações hormonais específicas. Quando a contagem ou a motilidade espermática são adequadas e não existem outros obstáculos relevantes, o casal pode continuar tentando naturalmente ou considerar inseminação intrauterina. Em alterações mais importantes, a fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozoide, a ICSI, permite utilizar um espermatozoide para fertilizar cada óvulo.
Na azoospermia, algumas situações possibilitam a obtenção de espermatozoides diretamente do epidídimo ou do testículo para uso em reprodução assistida. A viabilidade dessa abordagem depende da causa e deve ser discutida de forma cuidadosa, incluindo possibilidades, limitações e orientação genética quando necessária.
Receber um resultado alterado pode tocar em sentimentos de culpa, masculinidade e medo de não realizar o projeto de ter filhos. Nenhum desses sentimentos deve ser minimizado. A investigação da infertilidade masculina não busca culpados: ela busca informações para que decisões sejam tomadas com ciência, acolhimento e tempo para cada etapa. Com uma avaliação criteriosa, o casal deixa de caminhar no escuro e passa a construir, com mais segurança, o caminho possível para a sua família.




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